Veja o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso do ginecologista suspeito de crimes sexuais contra mais de 20 pacientes em Goiás
26/04/2026
(Foto: Reprodução) Médico passa a noite na cadeia após ser preso suspeito de crimes sexuais contra pacientes
Está presos preventivamente o médico ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, investigado por estupro de vulnerável contra pacientes em Goiânia e Senador Canedo, em Goiás. Até o momento, 23 pacientes denunciaram o ginecologista à polícia por crimes cometidos dentro de seu consultório. Veja abaixo o que se sabe e o que ainda falta ser esclarecido sobre o caso.
Ao g1, a defesa do ginecologista disse que entende que a prisão é desnecessária e que tem plena confiança em sua inocência (leia a íntegra da nota ao final da reportagem).
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp
1. Período
Segundo a Polícia Civil, há relatos de abusos entre 2017 e 2026. Como o médico é formado desde 2002, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), a delegada Amanda Menuci, responsável pela investigação, acredita que há um número muito maior de mulheres que podem ter sido abusadas pelo médico. Por esse motivo, a polícia divulgou de seu nome e imagem, a fim de localizar outras possíveis vítimas.
2. Modo de agir
Segundo a delegada, as consultas eram marcadas por toques físicos indesejados e perguntas inapropriadas sobre a vida íntima das pacientes. Ela definiu Marcelo como um "predador sexual", que se valia do ambiente de clínico e da situação de fragilidade das vítimas para cometer os crimes.
De acordo com a delegada, uma das vítimas relatou a prática de sexo oral. Outra, que estava em uma gravidez de risco, chegou a gravar as consultas após desconfiar da conduta do médico.
Médico Marcelo Arantes é suspeito de estuprar pacientes em Goiás
Divulgação/Polícia Civil
LEIA TAMBÉM
Médico suspeito de estuprar pacientes durante consultas é preso
Ginecologista preso suspeito de estupro: paciente gravou consultas após desconfiar da conduta dele
Ginecologista suspeito de crimes sexuais mandou mensagem a vítima perguntando se houve mal-entendido após consulta, diz polícia
3. Número de vítimas
Até o momento, foram identificadas 23 vítimas, sendo 10 na capital e 13 em Senador Canedo. A polícia acredita, porém, que pode haver outras.
4.Atuação profissional
Marcelo se formou em 2002 pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Segundo o seu registro no CFM e no Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), ele atuava em ginecologia e obstetrícia, além de reprodução assistida.
Em Goiânia e em Senador Canedo, ele trabalhava em duas clínicas particulares localizadas no Setor Campinas e no bairro Jardim de Todos os Santos, respectivamente.
Atualmente, o registro profissional de Marcelo está suspenso por decisão judicial.
5. Início das investigações
Com base nas denúncias anteriores, a Polícia Civil de Senador Canedo pediu a prisão do médico no dia 9 de março, mas o pedido foi negado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Dez dias depois, três vítimas procuraram a Delegacia da Mulher de Goiânia, relatando atos semelhantes praticados por ele.
6. Prisão
Com as novas denúncias, a polícia prendeu Marcelo preventivamente na quinta-feira (23), quando ele estava em casa, em Goiânia. Segundo a delegada, os novos relatos mostraram que as vítimas de 2017 e 2020 não eram casos isolados.
"Até para a polícia proceder ao indiciamento, era mais difícil. Porque são crimes que não têm testemunhas, praticados à escura, em que fica a palavra do autor contra a da vítima", disse a delegada.
O ginecologista está preso na unidade prisional de Senador Canedo.
7. O crime
Segundo a delegada Amanda Menuci, a tipificação do crime como estupro de vulnerável foi escolhida porque os casos não envolvem apenas de violação sexual mediante fraude, pois aconteceram quando as vítimas se encontravam em situação de vulnerabilidade.
Além de responder criminalmente, Marcelo também é alvo de uma investigação no Cremego, que apura as denúncias. A apuração é feita sob sigilo, como determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.
Nota da defesa do ginecologista
"A defesa do Dr. Marcelo Arantes Silva entende como desnecessário o deferimento do pedido de prisão. Primeiramente, porque tem plena confiança em sua inocência. Em segundo lugar, porque ele já se afastou do exercício da profissão e tem contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação.
Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos"
Rodrigo Lustosa, Nara Fernandes e Frederico Machado
Advogados de defesa
📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.